quarta-feira, 27 de junho de 2012

Criaturinhas que amamos e seus criadores



Quando a Yvone do blog Casas Possíveis publicou um belo texto sobre o dia em que reencontrou seu Topo Gigio, lembrou minha frustração por não ter hoje o meu ratinho que, acredito, furtaram-me, na infância, descarada e tão facilmente como se me tirassem um doce.
Ao falar de sua alegria ao recuperar, com a ajuda da mãe, o Topo Gigio, Yvone diz o seguinte: "De repente, como num passe de mágica, ela me ajudou a resgatar um pedacinho da minha infância. Fiquei realmente muito emocionada de revê-lo depois de décadas". 
Tem razão a Yvone ao afirmar que recuperar o bonequinho foi como um resgate de um pedacinho da infância. É impressionante o quanto nossas vidas se compõem de objetos que amamos, de histórias, de cheiros, de memórias.
Estive a pensar nisso quando recebi de uma amiga querida uma série de fotografias em que criaturinhas imaginárias aparecem ao lado de seus criadores, numa clara homenagem a estes que, em alguns casos, não alcançaram a fama que seus desenhos atingiram.






Nessa série enviada pela minha amiga senti falta de algumas criaturas que amei na infância e adolescência e acabei por ampliar a relação que agora divido com você. Devo confessar que algumas criaturas como o Caco e a Family Guy eu nem sequer conhecia, pois há algum tempo não assisto TV; algumas, como o Pica-Pau (que meu sobrinho ama), nunca me foram simpáticas; além disso acreditava que Hanna Barbera fosse mulher, o que foi desmentido em minha pesquisa: trata-se de um nome artístico formado pelos sobrenomes de dois desenhistas que criaram algumas importantes figurinhas que participaram da minha história e que compõem – junto de uma infinidade de outras coisas – as M(m)inas em que habito e que me habitam (se você ainda não leu, veja aqui a explicação que dou para o título deste blog).
Se eu desconhecia algumas dessas criaturas – que sei que são famosas e, portanto, integrantes de outras histórias diferentes da minha – algumas, além de meras conhecidas minhas, foram muito amadas, como é o caso do Topo Gigio, do Fantasma, dos Smurfs,  da Mafalda e da Betty Boop.  A Turma da Mônica e o Smilinguido nem entram nesta lista, pois são amores atuais: desde que aprendi a ler nunca mais me desgrudei das personagens do Maurício de Souza e amo especialmente a Mônica e o Chico Bento. O Smili é uma formiguinha que me faz lembrar o quanto somos diminutos diante da grandiosidade de Deus, mas, ainda assim, o quanto Ele nos ama apesar de nossa pequenez. Não há como não amar uma formiguinha doce assim, não é mesmo?



 
   A Turma da Mônica e Maurício de Souza



Bart e Homer Simpson e Matt Groening



Batman e Bob Kane




Betty Boop e Max Flasher



Caco e Jim Henson



Chipmunks e Ross Bagdasarian



Family Guy e Seth MacFarlane



Fantasma e Mandrake com Lee Falk



Ferdinando Buscapé e Al Capp



Garfield e Jim Davis



Homem-Aranha e Stan Lee


Luluzinha e Marjorie Henserdon Buel (Marge)



Mafalda e Quino



 Mestre Yoda e Geoge Lucas



Mickey Mouse e Walt Disney



Os Smurfs e Peyo



Pantera Cor-de-Rosa e Blake Edwards



Pernalonga e Bob Clampett



Pica-Pau e Walter Lantz



Popeye e Elsie Segar



Smilinguido com Márcia d’Haese e Carlos Tadeu Grzybowski



Snoopy e Charles Schulz



Tom e Jerry com William Hanna e Joseph Barbera



Topo Gigio e Maria Perego



Quase da mesma forma que amo certo autores pelas suas criações literárias que, conhecidas, me fizeram ser quem sou, amo estes criadores e suas criaturas que encheram – e ainda o fazem – de alegria e colorido a minha vida.




Imagens deste post: Google Imagens



 

Beijo&Carinho,


 

Jussara




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sábado, 23 de junho de 2012

Amar e ser amado



Um erudito perguntou-me certa vez o que me parecia mais desejável, amar ou ser amada. Eu não tinha todo o tempo do mundo para pensar e minhas poucas e frustradas experiências amorosas me fizeram responder rapidamente: “Ser amada”.

– “É isso o que pensam os intelectuais?” – perguntou ele sem se preocupar em disfarçar certo desprezo na voz, já que fazia questão de evidenciar a distância em que se encontram aqueles cuja atividade predominante é intelectual – o que os leva a valorizarem a inteligência e as coisas do espírito – daqueles que, independentemente da atividade que exercem, têm profundos e vastos conhecimentos.

– Não respondi em nome dos intelectuais – disse-lhe eu – Falei por mim mesma.

– Está errada – falou o erudito, sem piedade. E explicou-se: – Que me importa que a Mariazinha da padaria da esquina me ame se não sinto nada por ela? Que significa para mim o amor que me dedicam se não é recíproco?

Entendi o raciocínio dele e creio que acabei por concordar, embora qualquer concordância de minha parte, naquela altura, fosse muito mais racional que emotiva. Muito depois, nas diferentes ocasiões em que insistiram em me amar sem que eu me sentisse movida a retribuir esse sentimento, é que a lição do erudito realmente se tornou real para mim.

Acredito hoje que o que buscamos na vida não é alguém que nos ame, mas alguém a quem possamos amar com todo nosso ser. Viver com alguém que nos ama desesperadamente, mas por quem nada sentimos pode ser um fardo muito pesado. Por outro lado, não viver com quem amamos porque este alguém ama outra pessoa, ou simplesmente não nos ama, porá doente nosso coração.



A hipótese de viver com quem amamos sem ver retribuído esse amor pode até parecer tentadora para alguém, mas em médio prazo se revelará também devastadora.


O ideal de todo amante (aquele que ama) é ver retribuído o amor que oferta. “Amar e ser amado”, acredito, é a mais básica das buscas humanas e, alcançada, a quintessência da glória.


Com um poema que começa com essas palavras, Castro Alves, nos idos de 1800, revela esse ideal:


Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!


Note que o poeta revela que a reciprocidade do amor é um “sonho” acalentado em seu “delírio ardente”. Além disso, a sequência dos versos indica que nem para este belo baiano, sucesso absoluto entre as mulheres de seu tempo, a recíproca era verdadeira:


Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora fronte!
............................................


Lido todo o poema, a exclamação que dele fica a ressoar no espírito do leitor é a seguinte: “Ah!... se eu fosse amado por ti, se tudo não fosse apenas delírio... viveríamos, então, o adorado sonho de “amar e ser amado!”.

Claro que quando falo em amor refiro-me a um sentimento atuante que dista bastante da paixão que, quando acontece, oferece imediata reciprocidade. Às vezes chego a pensar que o que todos queremos é uma paixão que nunca acabe, porque ela, a paixão, tem o condão de nos fazer belos e invencíveis aos nossos próprios olhos, enquanto o amor envolve certa dose de dor ao “ofertar a outra face” (Jesus Cristo), ao se prender “por vontade” (Camões) ou ao ser preciso “fingir de burro” para  o outro “sobressair” (Cazuza).

Entretanto, apesar da porcentagem de dor envolvida, estou certa de que dela não se queixa quem fincou a bandeira no terreno quase inacessível onde os sonhos se realizam e as recíprocas são verdadeiras.

Imagens: Google Imagens


Beijo&Carinho,


Jussara


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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pingue-pongue entre amigos



Faz já alguns dias que a Dona Gam dos blogs Gam Dolls, Gam Pets e Gam na Cozinha me propôs continuar um “pingue-pongue” que alguém iniciou. Minhas últimas semanas, entretanto, tão cheias e corridas, só agora permitiram que eu respondesse às questões propostas. Agradeço à Dona Gam o convite para a “brincadeira” que deixa bem clara a relação de troca que existe entre os blogs. Faz apenas sete meses que entrei nesse “universo”, mas o quanto cresci como pessoa na relação com as pessoas fantásticas que conheci não pode ser mensurável. Acho lindo isso e justamente por essa razão é que quis participar. Creio que eu deveria escolher outros blogs para continuarem o pingue-pongue, mas não me lembro bem das regras (eu só salvei as perguntas), então vou propor o seguinte: que tal deixar um comentário neste post e incluir a resposta a uma das perguntas que a Dona Gam me fez e que também respondi? Assim, você me conhece um pouco mais e me deixa conhecê-lo(a) mais um pouco também. É justo, não é?

Vamos, então, ao jogo:







DONA GAM – VOCÊ É FELIZ COMO VOCÊ É?

Jussara: Hoje posso dizer que sim. Houve época em que me achava feia, muito alta ou muito magra... Quanto ao que interiormente sou, à sensibilidade que tenho e alguma intuição, isso sempre me fez feliz.






DONA GAM – QUAL CARACTERÍSTICA VOCÊ NÃO ADMITE NUM SER HUMANO?

Jussara: A pergunta assim colocada me deixa meio sem jeito, pois na verdade procuro não me colocar na posição de quem julga, já que estou longe de ser a palmatória do mundo, mas não tenho muita paciência com quem “se acha”, que se considera superior aos outros, vive cheio de orgulho (não sei propriamente de que) e age de modo arrogante com quem considera “inferior”.







DONA GAM – SE VOCÊ FOSSE UM ANIMALZINHO, QUAL SERIA? POR QUÊ?

Jussara: Uma ovelha, sem dúvida! Porque amo a metáfora usada por Jesus Cristo na qual Ele se apresenta como o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. Identifico-me também com a ovelha perdida da parábola – aquela que achou que podia encontrar melhor pasto sozinha e acabou ferida, dependente do cuidado do pastor que vai ao seu encontro e a leva de volta sobre os ombros. Às vezes (cada dia menos, aleluia!) tenho dessas “ovelhices” e fico chorosa à espera do Bom Pastor.







DONA GAM – VOCÊ TEM ALGUMA MANIA?

Jussara: Várias; sou cheia de TOCs. Mania de organização eu vivo citando aqui. Uma mania grave é gostar das franjas dos tapetes sempre penteadas... rs.






DONA GAM – OS ANIMAIS TÊM SENTIMENTOS COMO OS HUMANOS. VOCÊ CONCORDA?

Jussara: Creio que os sentimentos humanos têm um nível de complexidade muito maior que aquilo que os animais podem sentir, mas concordo que eles têm sentimentos, sim, de euforia, de satisfação, de confiança, de lealdade, de amizade, de insegurança, de medo, de tristeza, de dor, até de saudade...  






DONA GAM – O QUE TE FAZ FICAR TRISTE E ATÉ CHORAR?

Jussara: Já fui mais chorona, chorava com qualquer música, qualquer filme. Hoje sou meio dura na queda, mas me entristece não poder tirar de alguém querido uma dor ou doença. A sensação da minha própria pequenez e insuficiência diante do inevitável me desola.






DONA GAM – VOCÊ POSSUI O HÁBITO DA LEITURA?

Jussara: Sim, graças a Deus! Graças também aos meus pais que me contavam histórias desde que eu era bebê, aos meus avós que continuaram a fazê-lo e aos tios que me presenteavam com livros. A leitura é uma companhia, para dizer o mínimo. Fila no Banco, na cabeleireira? Eu sempre tenho um livro na bolsa!






DONA GAM – EM SUA OPINIÃO, O QUE É SER INTELIGENTE?

Jussara: É equilibrar-se. O perfeito equilíbrio não se alcança com os pés no chão, mas na corda bamba. Inteligente é quem consegue driblar o caos sem perder o equilíbrio.







DONA GAM – SE VOCÊ PUDESSE DESCREVER SUA MÃEZINHA COM UMA ÚNICA PALAVRA, QUAL SERIA?

Jussara: Uma... “Fada”!






DONA GAM – O QUE É MAIS IMPORTANTE, DAR O PEIXE OU ENSINAR A PESCAR?

Jussara: Em situações extremas é preciso dar o peixe, mas ensinar a pescar é mais importante sempre.







DONA GAM – QUAL FRASE OU PENSAMENTO SEMPRE TE INSPIRAM?

Jussara: “O Senhor é o meu Pastor, nada (absolutamente nada) me faltará.” (Salmo 23:1)





Google Imagens







E então, o que achou? A qual pergunta irá responder em seu comentário?





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Beijo&Carinho,





Jussara

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Experiência de Leitura – 2




Álvaro de Campos começa um de seus poemas a afirmar:



Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.



Penso nesses versos para me desculpar pelo meu próprio cansaço e pelo ritmo lento em que pareço me mover em tudo que ultimamente faço. “Em que pareço”, enfatizo, pois na verdade ando numa correria louca que me rouba o fôlego e que nunca se mostra produtiva o bastante para que eu risque da lista de afazeres todos os itens selecionados para o dia.

Breve explicação (para um cansaço que se arrasta há tempos e que não seria fácil esclarecer aqui), mas necessária para justificar a demora do comentário sobre o livro Marina, de Carlos Ruiz Zafón, cuja leitura terminei há duas eternidades e sobre a qual só agora venho falar:




Edição brasileira




Zafón nasceu em Barcelona em 1964 e escreve há muitos anos, embora o reconhecimento internacional tenha vindo apenas em 2003 com a publicação de A Sombra do Vento, seu quinto romance. Reside em Los Angeles desde 1994 e é correspondente dos jornais espanhóis El País e La Vanguardia.  



Carlos Ruiz Zafón



Voltado para o público juvenil, El Príncipe de la Niebla, seu primeiro livro, recebeu um prêmio de literatura. As obras seguintes, El Palacio de la MediaNoche, Las Luces de Septiembre e Marina, nascidos também para atender o mesmo público, guardavam a secreta intenção do autor de se adequarem, afinal, a todos os leitores interessados. É o que acontece com Marina.

Nessa obra o leitor mergulha numa misteriosa investigação sobre a emaranhada história de um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e cujo fim trágico, junto de sua bela esposa, é conhecido de toda cidade. Entretanto, cada capítulo apresenta novas personagens e novas pistas que vão aos poucos revelando que a verdade está muito distante da versão oficial.

Tudo começa quando Óscar Drai, 15 anos, estudante de um internato, entra em um antigo casarão, aparentemente abandonado, atraído pelo som de uma belíssima voz. Assustado com uma inesperada presença foge levando um relógio de bolso, muito antigo, que pegara, ao acaso, sobre uma mesa.

Ao retornar à casa, dias depois, a fim de devolver o relógio, Óscar conhece Marina, uma jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora.

Aventurando-se por palacetes e estufas abandonadas, lutando com manequins vivos, sempre a se defrontar com o mesmo símbolo – uma mariposa negra – Óscar e Marina tentam desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério e vivem situações arrepiantes pelos cantos mais remotos da gótica e mágica Barcelona.

Não preciso dizer para quem já conhece A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, que o clima de mistério é tão bem tecido que o leitor chega a ficar sem fôlego. Entretanto, o suspense sombrio é aliviado pelas belas frases construídas por Zafón, de poeticidade inquestionável, sem falar na paixão que se esboça entre Óscar e Marina e atravessa o misterioso romance que expõe suas personagens à vivência de experiências supremas na vida: o amor, a condição humana, a essência ou as facetas da verdade, os momentos de felicidade ou de dor.


Recomendo a todos! Muito bom!



Edição espanhola


Edição romena


Encomendei ontem o novo livro de Zafón, O Prisioneiro do Céu, romance no qual as narrativas de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem a transbordar intriga e emoção: meios de levar o leitor à resolução de enigmas que, nas páginas desse fantástico escritor, sempre se impõem.



Creio que até o fim da semana o terei nas mãos!





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Jussara

terça-feira, 5 de junho de 2012

“Que variedade, Senhor, nas tuas obras!”


Barulho de chuva na manhãzinha... edredom quentinho, vontade nenhuma de levantar! Entretanto, a vida convoca: abro a janela para o dia cinzento, para o cheiro de café, para descobrir se cedeu a febre que à noite calou meu pai.

Manicure, tapeceiro e o rapaz da farmácia compõem confusamente a parte primeira da manhã. Concordo com o orçamento do tapeceiro sem lembrar de regatear, as mãos de jardineira magicamente tornadas mãos de escritora; a injeção dolorida, disseram, mas no rosto do velho um sorriso se esboça. Minha mãe distribui chávenas de café e a garoa vai e volta enquanto preparo o almoço.

“No dia triste o meu coração mais triste que o dia...” – o verso de Álvaro de Campos cruza meu pensamento, mas se depara com minha inflexível (ao menos hoje) vontade de alegria: escolho encantar-me com as flores que colorem o quintal mesmo sob algum peso de chuva:


Canteiro no corredor


Orquídeas cujo perfume lembra o de jasmim



Promessas de margaridinhas




Alamanda - por muitos anos só conheci a amarela

  


  

Muitas rosas num só galho. Esta foto não é de hoje... note à esquerda os botões...




... aqui já abertos,  as primeiras rosas já um tanto descoloridas pelo sol




O galho colhido hoje para a minha sala
(Quase todos os quadros da minha casa são pinturas da minha mãe. Qualquer dia mostro mais)




Espécies diferentes também nos vasinhos da varanda
(Eu fiz a guirlanda. Meu irmão trouxe-me cipó e eu o torci)




Ao escolher a beleza das flores, lembro-me de um verso bíblico em que o salmista se refere à “variedade” presente nas obras de Deus. “Todas as coisas fez Deus com sabedoria”, diz o verso, “ a Terra está cheia da Sua glória!” (Salmo 104:24).


Opto por essa gloriosa variedade e meu coração se enche de alegria!


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Beijo&Carinho,
  

Jussara